|
Trata-se de um naufrágio cuja história desconhecemos. Sabemos tratar-se de um navio antigo, de construção em madeira, mas o tipo de embarcação, de onde vinha e qual o seu destino continuam um mistério.
"Navio do Norte" é o nome atribuído por pescadores a este naufrágio, localizado a norte de Angeiras.
Desta embarcação resta a carga, ou parte desta, constituída por canhões com os respectivos rodados e balas, algumas peças metálicas, folhas de cobre armazenadas em lotes, algumas pedras de lastro, entre outros. Ainda é possível ver alguns pedaços de madeira que pertenciam à estrutura da embarcação, e que devido ao constante assoreamento se preservaram até aos dias de hoje.
Este naufrágio encontra-se em mar aberto, num fundo de areia, a uma profundidade de 33 metros. Como na generalidade dos naufrágios desta costa, a fauna é abundante, sendo possível encontrar com frequência cardumes de fanecas, congros, lavagantes e polvos. É frequente encontrar redes junto ao local.
Existem indícios, não confirmados, que este possa ser uma secção de um vapor inglês naufragado nestas águas em meados do século XIX.
Esse navio vapor chamava-se "Tiber" e pertencia à companhia britânica P&O Line.
Lançado à água a 8 de Agosto de 1846, este navio chegou a Southampton a 26 de Outubro, vindo dos estaleiros Caird & Co, em Greenock, onde fora construído, e estava destinado às rotas peninsular, italiana e do Mar Negro. Esteve para se chamar "Ceylon". Tinha 56.29 metros de comprimento, 8.15 metros de boca, 5.26 metros de pontal e deslocava cerca de 763 toneladas. Estava equipado com 2 motores, ou cilindros, de 280 hp que faziam rodar as pás laterais e originavam uma velocidade máxima de 9 nós. O casco era revestido com placas metálicas e tinha capacidade para transportar 225 toneladas de carvão. Custou aos cofres da P&O Line cerca de £28,600 e estava seguro por £20,000.
Naufragou ao largo de Vila Chã, a 21 de Fevereiro de 1847, ao principio da tarde, quando fazia viagem de Gibraltar para Southampton, com o Capitão Bingham como comandante. Tinha feito escala em Lisboa de onde zarpara às 8h da manhã do dia anterior com 12 passageiros de primeira classe, alguns de segunda classe e um punhado de Galegos que seguiam para Vigo onde faria uma última escala antes de rumar ao seu destino final.
As causas deste naufrágio continuam inconclusivas, pois temos duas versões da história.
Nos documentos existentes em Portugal, diz-se que este navio afundou devido a um forte temporal e que, apesar da ajuda de pescadores e gente local, pereceram cerca de 30 pessoas, entre tripulação e passageiros.
Noutras pesquisas, encontramos relatórios escritos na época que nos informam que o navio navegava sob intenso nevoeiro e que colidiu com uma pedra ao largo de Vila Chã. Após a colisão o navio partiu-se afundou em águas profundas em breves minutos. Grande parte da carga perdeu-se e lamenta-se a perda por afogamento de um membro da tripulação, o cozinheiro, um oficial espanhol chamado Lagarte La Carte, 2 "galegos" e uma criança espanhola.
Embora distintas, ambas apresentam um ponto em comum, grande parte do correio e carga existente no porão afundaram com o navio. Entre a carga encontrava-se um carregamento de moedas de ouro com destino aos cofres reais.