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O "Brenha" era uma embarcação de pesca do arrasto. Construído em 1969, tinha 32 metros de comprimento, 7.22 metros de boca e 3.55 metros de pontal.
Largou de Leixões por volta das 23h do dia 3 de Janeiro de 1996, rumo a norte, com uma tripulação de 15 homens, entre eles João Rebelo da Silva (mestre) e José Americano (motorista). Todos residiam no concelho de Matosinhos com a excepção de um que residia na Póvoa do Varzim.
Minutos após ter deixado o porto de abrigo, colidiu com o rochedo da Guilhada, ao largo do Mindelo e abriu rombo no casco. Apesar das condições atmosféricas não serem as mais favoráveis, pois além de ser noite, estava vento forte e a chover bastante, e o estado do mar tempestuoso, a causa deste naufrágio deve-se, provavelmente, a erro humano.
Imediatamente o mestre deu à ré para tirar a embarcação daquele local e conduzi-la para alto mar. Foi uma das manobras que salvou aqueles homens, pois a forte ondulação empurraria o arrastão contra as rochas. Foram lançados três "very lights" e emitido, via rádio, um SOS. Eram 23h30m.
Veio em seu socorro a motora " O Desterrado", com o mestre David Leocádio ao leme, que quase à entrada do porto de Leixões deu meia volta e, contra a intempérie, navegou ao encontro do arrastão. Quando o encontrou, já o "Brenha" estava cheio de água. Não houve muito mais a fazer senão recolher a tripulação e regressar a Leixões.
Naufragou a aproximadamente meia milha de terra, por volta das 00h30m do dia 4.
Encontra-se a 27 metros de profundidade, num fundo de areia com a quilha encravada num rochedo, deitado sobre estibordo, com orientação este-oeste. Quando começamos a mergulhar neste naufrágio, apenas o casco se encontrava intacto, pois dava a ideia que a embarcação terá andado às cambalhotas sobre o leito marinho até ser travada por um rochedo. Os mastros das redes e as antenas tinham desaparecido, e a ponte da casa do leme encontrava-se completamente amassada, como se a tivessem calcado. Em 2003 verificamos que a estrutura da ponte tinha sido arrancada, muito possivelmente pela força do mar, encontrando-se no seu lugar um buraco que dava acesso ao interior. Durante o Inverno de 2005/2006, o mar acabou por abrir quase todo o casco, mantendo-se intacto apenas a popa do navio. A resto do casco abriu como se tivessem colocado uma bomba no seu interior e a tivessem detonado. Os mergulhadores conseguem observar a casa das máquinas, estando o bloco do motor a descoberto com as válvulas perfeitamente à vista e na secção da proa é possível efectuar uma pequena penetração e visitar parte dos aposentos e respectiva casa de banho.
É preciso ter em atenção que ainda existem redes e cabos no seu interior e que, devido às ditas cambalhotas, está tudo solto e desarrumado. Apesar de ser um naufrágio relativamente recente a vida marinha já começou a ocupar o seu espaço, tornando no que foi em tempos uma embarcação de pesca num recife artificial.