BATELÃO

O Batelão, de seu verdadeiro nome "Cantanhede", fazia parte de uma composição de três embarcações, dois batelões, o "Cantanhede" e o "Micaelense", e o rebocador "Marialva" ao comando.

O rebocador "Marialva", construído em 1937, encontrava-se registado em nome da SOFAMAR, Sociedade Fainas de Mar e Rio  e deslocava cerca de 111 toneladas. Júlio Fernandes Parracho era, desde há muito, o seu comandante e encontrava-se a bordo nessa fatídica noite onde, juntamente com os restantes membros das tripulações das três embarcações, encontrou o seu destino final.

Zarparam de Setubal com destino ao Porto com um carregamento de cimento, quando, à chegada ao destino, encontraram um violento temporal, que causou o naufrágio e a morte dos seus 17 tripulantes. A tripulação do "Marialva" era composta por 9 elementos, a do "Cantanhede" era constituída por 4 elementos e a do "Micaelense" era constituída também por 4 elementos. Aconteceu na madrugada do dia 7 de Dezembro de 1959.

Diz-se que, devido ao temporal, os batelões começaram a meter água e a afundar. Os homens tentaram libertar-se, sem sucesso, dos reboques, e estes quando afundaram, acabaram por virar e afundar o rebocador.

Fala-se também que, durante esta azafama, o Batelão colidiu com o "Marialva", facto que merece alguma credibilidade, pois a proa do lado de bombordo deste naufrágio encontra-se amassada, como se tivesse batido em algo.

O segundo batelão, o "Micaelense", construído em madeira, acabou por vir dar à praia da Madalena e o rebocador permanece em parte incerta.

O Batelão encontra-se desde então a aproximadamente 3 milhas de costa, com enfiamento na foz do Rio Douro, pousado num fundo de areia a 27 metros de profundidade, com orientação sul-norte.

No início da década de 90 o navio ainda se encontrava direito, com os dois porões perfeitamente divididos, a casa do leme na popa e uma divisão abaixo do convés da popa onde se encontrava um fogão a lenha. Actualmente encontra-se bastante degradado, partido a meio navio e com o convés à popa e à proa abatido. Distingue-se facilmente parte da sua carga. Cimento que petrificou devido ao contacto com a água e que hoje forma uma espécie de rochedo no interior da embarcação.

Apesar do fraco estado de conservação, é um excelente mergulho, com muita vida, da qual salientamos os cardumes imensos de fanecas, os congros e o incrível jardim de anémonas (metridium senile) que existe no casco exterior da popa.

É um dos melhores mergulhos nocturnos que se pode fazer por aqui.

Ter em atenção que, devido à sua localização, é uma zona de fortes correntes, e é frequente encontrar redes junto ao naufrágio.

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